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Primeiro pilar do Ikigai: começar devagar

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Tal como prometido, vou iniciar hoje a minha exploração dos 5 pilares do Ikigai neste querido blogue que ambiciona acompanhar-vos nestes dias em que as horas solares minguam e nos fazem recolher para dentro do casulo. Não há nada como sentar numa cadeira confortável e deixar a imaginação voar na escrita de algo que se tem um interesse especial. E ao deixar a minha imaginação voar,  imagino o leitor deste blogue também a sentar-se numa cadeira confortável em frente a uma lareira e pegarem neste blogue como um livro nas mãos. A minha imaginação vai mais além e vejo eu e o leitor como companheiros virtuais neste Outono de folhas mescladas de verde, amarelo e vermelho, prestes a caírem no passeio ao sabor do vento, ora soprando violentamente como um presságio do inverno que aí vêm, ora soprando como uma brisa breve quase de verão.      Recordando o último texto , o Ikigai a la Ken Mogi assenta em 5 pilares ou fundamentos:  "Começar devagar";  "Liberta-te...

Ikigai: um conceito japonês que dá que pensar

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O texto de hoje vêm na sequência de um webinário que apresentei na comunidade z-Stat4Life há poucos dias atrás (16/10/2024). Nesse webinário explorei a questão fundamental que inquieta todos os profissionais que alguma vez pensaram na sua carreira: que estratégias devemos implementar para ter uma carreira minimamente gratificante? Para responder a essa questão, optei por trazer à discussão um conceito japonês que me pareceu interessante e quiçá desconhecido para muitos do mundo dito ocidental. Esse conceito está traduzido na palavra Ikigai .      A primeira vez que tive contacto com a palavra Ikigai foi há cerca de uma década quando ainda vivia em Londres. Esse contacto veio da visualização no Youtube da palestra intitulada " como viver até aos 100 anos? " por Dan Buettner.  Nessa palestra sob a chancela das conferências TED, Dan falou sobre as chamadas " Blue Zones " e dos seus habitantes que viviam frequentemente acima dos 100 anos de idade e com grande vigor f...

Mixórdias estatísticas na minha visita à Ilha da Madeira

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Há duas semanas atrás visitei a nossa pérola do Atlântico na companhia da minha família (esposa e filho de quatro anos e meio). Foi a minha primeira experiência na ilha e claro está que, durante a minha estadia, o meu olho de falcão esteve a trabalhar como um radar na procura de coisas estatísticas que pudessem interessar tanto a mim como ao leitor deste blogue. Tomei notas de várias observações e experiências que agora resolvi partilhar. Restringi apenas a três notas "breves"; tento sempre que sejam breves, mas acabam semore por saírem mais longas do que tinha inicialmente previsto. Estas notas mostram bem como a minha formação académica em Estatística influencia a forma como vivo e sinto um determinado lugar. Pôr do sol na praia formosa (Funchal, Madeira). Taxistas da Bolt e as eleições (pseudo-)renhidas da Venezuela A primeira nota poderia ter sido a aterragem no Aeroporto Cristiano Ronaldo. Após quase 5h30 de voo desde Varsóvia até à Madeira, o avião começou a descer em ...

Perguntar sem incomodar para alimentar modelos "exactos" do cidadão de carne e osso

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Tinha feito a promessa ao leitor e a mim mesmo que discutiria o impacto da aprendizagem automática no funcionamento da Democracia, usando como desculpa alguns frases do livro " A Revolução do Algoritmo Mestre" do Prof. Pedro Domingos. Tendo o livro sido escrito originalmente há quase uma década atrás, o Prof. Pedro era - pelo menos nessa altura, agora não faço ideia - um optimista de que a Democracia iria funcionar melhor.   Neste texto resolvi trazer à discussão a seguinte frase do livro (pág. 43): No futuro, desde que os modelos de eleitores sejam exatos, os representantes eleitos poderão perguntar mil vezes por dia aos eleitores o que estes querem e agir em conformidade - sem ter de importunar os verdadeiros cidadãos de carne e osso.   Esta frase transmite duas ideias que considero um pouco contenciosas. Que é possível criar modelos "exactos" de nós os eleitores através de muitos dados. E que esses mesmos dados podem ser colectados sem incomodar os cidadãos...

Estatística Bayesiana num mundo pós-modernista

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No meu último texto escrevi sobre o pós-modernismo e a sua rejeição da crença de que existe uma verdade universal e absoluta. Hoje vou explorar um pouco mais este tema à luz do que sei dos fundamentos de Inferência Estatística.  Em geral, o pós-modernismo argumenta que a verdade está sempre dependente do contexto social e histórico no qual está inserida. Como a realidade é intrinsecamente dinâmica, a verdade é essencialmente fugaz: o que é verdade hoje deixa de o ser amanhã. Na prática, o pós-modernismo apela à subjectividade do pensamento e nega a existência de uma realidade objectiva que possa ser descoberta por métodos científicos. Refuta, também a validade (moral) das grandes narrativas religiosas, uma vez que estas foram redigidas em contextos históricos e sociais muito distantes dos nossos.  Confesso que fiquei apreensivo quando me debrucei sobre este movimento filosófico. Pareceu-me que o pós-modernismo era um género de uma bala disparada contra a própria Univers...

Entre Pedro Almodóvar, Pós-Modernismo e Jogos Olímpicos de Paris

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No outro dia acabei de ler o livro " O último sonho " do cineasta espanhol Pedro Almodóvar. Era um livro de contos, muitos escritos na década de 70 do século passado. Uns retratavam momentos pessoais do cineasta, enquanto outros eram variações de temas clássicos da nossa cultura. Por exemplo, um desses contos acabava com uma estranha Pietá, em que um padre chorava segurando um travesti morto no colo. Pedro Almodóvar tinha feito menção no prefácio de que tinha nascido como cineasta sob grande influência do pós-modernismo ("Como cineasta, nasço em plena explosão do pós-modernismo e as ideias surgem de qualquer lugar").  Não sabia muito bem o que era o pós-modernismo, uma ignorância que atribuo à minha formação académica e aos meus interesses pessoais mais virados para as matemáticas e engenharia. Fui então investigar esse tema no ciberespaço.  Fiquei a saber que o pós-modernismo era um movimento artístico, cultural e filosófico, no qual Pedro Almodóvar era um dos ma...

Os partidos portugueses e as suas interações nas redes sociais: o que dizem as estatísticas para além do óbvio?

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No dia 5 de Março deste ano, antes das eleições legislativas, a CNN Portugal e a  CMTV  informavam os cibernautas de que o Chega era o partido português com mais seguidores e interacções nas redes sociais. Essas duas notícias, literalmente idênticas, estavam baseadas num relatório de título “ Radar das Legislativas: Os partidos políticos e os seus líderes na esfera pública digital ” produzido pela LabCom - Comunicação e Artes da Universidade da Beira Interior. Dei uma olhadela ao relatório e constatei que o mesmo continha vários dados estatísticos interessantes, nomeadamente, o número de publicações, o de visualizações e o de interações (partilhas, gostos e comentários) durante o período de 9 de Novembro de 2023 a 19 de Fevereiro de 2024. Havia também a estatística fundamental do número de seguidores de cada partido no final desse período. Os partidos em análise foram os seguintes:  Bloco de Esquerda (BE) Centro Democrático Social/Partido Popular (CDS-PP) Chega (CH) ...